terça-feira, 26 de abril de 2011

A Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938 em São Luís



Em 1938, por iniciativa e patrocínio de Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura de São Paulo (atual Secretaria Municipal de Cultura), um grupo de pesquisadores, antropólogos e técnicos percorreu vários Estados do Norte e Nordeste coletando material aúdio-visual, além de artefatos pertencentes a diversas manifestações culturais. Esta iniciativa sem precedentes no Brasil até então ficou conhecida como a Missão de Pesquisas Folclóricas.

A intenção era registrar com a maior riqueza de detalhes possível para a posteridade as diversas manifestações antes de sua total descaracterização com o crescente urbanismo do país à época.

Em sua passagem por
São Luís, em meados de 1938, a Missão de Pesquisas Folclóricas fez importantes registros áudio-visuais. Foram registrados o Tambor de Crioula, o Tambor de Mina, o Bumba-meu-boi e o Carimbó.

A Missão passou por aqui em um período de grande repressão aos terreiros e a outros tipos de manifestações populares portanto, os registros foram feitos fora do perímetro urbano, nos arrabaldes, onde se faziam os cultos e as brincadeiras, e sob a autorização da
Chefatura de Polícia. Por esse motivo, algumas informações mais escassas e poucos detalhes em determinados registros, como o Bumba-meu-boi e o Tambor de Crioula, podem ser notados.

O primeiro registro feito em São Luís foi o do
Tambor de Crioula, em um terreiro não identificado, no bairro do João Paulo. O Tambor de Mina foi registrado também no mesmo bairro, no terreiro de Maximiliana Silva, como mostra a foto acima de uma participante em transe.

O
Carimbó, manifestação marcadamente paraense, também foi registrado em pleno Centro de São Luís, com uma brincante fazendo evoluções coreográficas, acompanhada de um solo de marimba (berimbau). Já o Bumba-meu-boi foi registrado, ao que tudo consta, somente em aúdio, sem maiores identificações; mas tudo leva a crer, através da audição das faixas, de que se trata de algum grupo do Sotaque da Ilha (Matraca), com marcação bem semelhante porém, um pouco mais rústica da notada atualmente.

A Missão de Pesquisas Folclóricas foi responsável pelo
1º registro em mídia dessas manifestações maranhenses e sua contribuição sócio-cultural e antropológica é sem precedentes no Brasil em termos de amplitude e riqueza de material.

Um
vídeo sobre o registro do Tambor de Mina em São Luís está disponível no YouTube aos que quiserem se aprofundar mais no assunto:

http://www.youtube.com/watch?v=8yFOfsiux4Q


FOTO:
Tambor de Mina (transe de uma assistente da cerimônia), 17 de Junho de 1938.

FONTE:
http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/missao/index.html


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