1916
Mesmo com contratempos, foram promovidas algumas
competições de remo em São Luis, sempre no rio Anil, como a
deste ano, que tinha como objetivo implantar, definitivamente, o
remo, inclusive com a criação de uma “Liga do Remo”. (Martins,
1989, p. 217). Os amantes do “esporte do muque”, como era
conhecido, adquiriram no Pará - onde o remo estava plenamente
consolidado - duas baleeiras apropriadas, batizadas de “Jacy” e
“Alcion”. Devidamente equipadas, eram guarnecidas por
empregados do comércio, que se apresentavam bem adestrados no
seu manejo. No dia 26 de março as duas embarcações fizeram-se
ao mar, realizando um “passeio”. A “Jacy” - equipe branca - tinha
como guarnição J. Nava (timoneiro); Júlio Galas e A. Martins
(vogas); A. Santos e Nestor Madureira (sota-vogas); Humberto
Jansen e A. Cunha (sota-provas); e S. Silva e J. Travassos (proas);
já a “Alcion” - trajes azuis -, contava com Humberto Fonseca
(timoneiro); A. Paiva e Avelino Farias (vogas); e A. Rosa e M.
Borges, como proas. As competições realizavam-se isoladamente,
no rio Anil, e não há registro do por que a “Liga do Remo” não se
estruturou. Nas manhãs de domingo, as embarcações realizavam
passeios, mais como recreação do que como disputa, não obstante
os esforços do capitão Melo Fernandes, dos vogas Barão Mota,
Agostinho e Manoel Tavares, dos sota-proas Acir Marques e Haroldo
Ayres, dos proas Joaquim Carvalho e Francisco Viana e do “crock”
Maneco Fernandes. Na Escola de Aprendizes de Marinheiros o
remo também era praticado, dispondo de uma guarnição que
treinava diariamente. Contava com os vogas Cantuária e Fulgêncio
Pinto; como sota-vogas, com Almeida e Abreu; na proa, Belo e
Matos; sota-proas, Zinho e Oliveira e o patrão era Fritz.
1917
Neste ano – em plena 1ª. Guerra Mundial -, enchia-se de
esperança para os praticantes dos esportes. No Maranhão, diziase
que dois esportes marcariam presença definitiva para ficar, o
remo e o futebol: “Apesar da guerra, das crises financeiras, do
alto custo de vida, etc., a mocidade só pensava no futuro, olhos
fixos no dia de amanhã, e, por isso, preparava-se fisicamente.
Pensar diferente era ir de encontro à lógica dos fatos que se nos
apresentavam diariamente, onde se viam rapazes, que eram
incapazes de levantar, como dizia o adágio popular, um gato
pelo rabo. Era inadmissível e errônea a educação do espírito
sem a educação dos músculos, como dizia Müller. De tudo o
homem devia saber. Um organismo raquítico nada valia. Era o
importante para suportar uma moléstia, comentavam os críticos.
Pregava-se o exercício do remo, porque esse esporte era de uma
real utilidade. Esperava-se para breve que, na capital do
Maranhão, pudéssemos nos rejubilar da existência de um bom
futebol e que o remo se tornasse um esporte definitivo, com
prática assídua” (Martins, 1989).
1927-1929
Promoveram-se alguns festivais, no rio Anil, em São
Luís, sempre com receios de ataques de tubarões, que subiam para
desfrutar dos dejetos despejados pelo Matadouro Modelo. Em 28
de julho de 1928, promoveu-se uma regata, em homenagem ao
comandante Magalhães de Almeida, tendo a frente os “sportmen”
Antônio Lopes da Cunha, sempre envolvido com as coisas do esporte,
Cláudio Serra, Hermínio Belo, Benedito Silva e Gentil Silva. As
embarcações não eram apropriadas, usando-se botes de quatro
remos para a distância de 500 metros, embarcações de pesca à
vela e outras de qualquer espécie, desde que não superiores a dez
palmos de boca, embarcações com motores de popa ou internos,
lanchas à gasolina, etc. As embarcações tinham os mais variados
nomes: “Maranhão”, comandada pelo patrão Justo Rodrigues;
“Sampaio Corrêa”, com Gino Pinheiro, como patrão; o bote “São
José”, com Horácio dos Santos como patrão. A firma Marcelino
Almeida & Cia - proprietária do “Loyde Maranhense”-, colocou os
vapores “São Pedro” e “São Paulo” à disposição dos convidados
especiais. Para as comissões, foram cedidos os rebocadores “Mero”,
“Loyd”, e “Satélite”, gentileza da “Booth Line Co.”, do “Loyd
Brasileiro” e de “Santos Seabra & Cia”. Naturalmente que o
homenageado - Magalhães de Almeida - foi o presidente do Júri de
Honra, que contou ainda com as presenças de Dr. Pires Sexto, do
comandante Martins, do coronel Zenóbio da Costa, Dr., Jaime
Tavares, Major Luso Torres, Dr. Basílio Franco de Sá, Dr. Constâncio
de Carvalho e João de Mendonça. A “comissão de chegada” era
composta por Clóvis Dutra, Agnaldo Machado da Costa, Dr. Horácio
Jordão, Dr. Waldemar Brito, e Sr. Edmundo Fernandes; a “comissão
de partida e raia”, contava com Cláudio Serra, Hermínio Belo,
Melo Fernandes e Américo Pinto; o cronista, Gentil Serra e o Diretor
técnico da Regata, Arnaldo Moreira. Os dois primeiros páreos
homenagearam o coronel Zenóbio da Costa, comandante da Força
Pública do Estado, a Associação Maranhense de Esportes Atléticos
- AMEA -, na pessoa do Dr. Waldemar Brito; o terceiro, foi em
homenagem ao aniversariante do dia, o comandante Magalhães de
Almeida, então governador do Maranhão; o quarto, foi em
homenagem ao Capitão dos Portos, comandante Moreira Martins,
com o quinto, sendo homenageado o Prefeito de São Luís, Dr.
Jaime Tavares e, finalmente, no sexto páreo, o homenageado foi o
major Luso Torres, comandante do 24º BC, do Exército. Dado ao
êxito da manhã esportiva, cogitou-se na criação do “Clube de
Regatas Atenas”, que teve como incorporadores e fundadores, os
esportistas Sílvio Fonseca, José Simão da Costa, Euclides Silva,
Herculano Almeida, Carlos Aragão, Dário Gusmão, Anísio Costa,
Murilo Viana, Francisco Lisboa, e José Teixeira Rego. Para começar,
iria se adquirir uma iole a quatro remos, medindo 11 metros de
comprimento - a primeira no gênero a singrar águas maranhenses
-; esperando-se que outras fossem “financiadas”. Mas o novo
esporte do remo em São Luis feneceu nos anos seguintes.